A Psicoterapia pela Drª Ana Sevinate

A psicoterapia, na sua essência, é um método de tratamento psicológico assente na construção de uma relação empática. Neste sentido, a psicoterapia pode surgir no nosso caminho quando se procura um sentido, quando parece que falta alguma coisa ou que alguma coisa não está bem. Pode ser uma situação pontual ou pode passar pelo desejo de uma transformação ao nível da personalidade.

Criamos formas de nos relacionarmos connosco próprios, com os outros e com o mundo, formas essas que nos ajudaram, de algum modo, a sobreviver emocionalmente. O que acontece é que, a certa altura, essas formas deixam de servir, passando a gerar sofrimento e impedindo que consigamos ser quem queremos ser.  A psicoterapia ajuda-nos a compreende-las, honrá-las e aprender formas novas de nos relacionarmos. Podemos ainda dizer que é também um processo de luto, uma vez que abrimos espaço para ver e para chorar as nossas dores. Só assim podemos seguir caminho.

A psicoterapia parte então do princípio que qualquer sofrimento ou ferida que se tenha gerado no contexto de uma relação, cura-se também na relação. É por esta mesma razão que se torna fundamental que a relação psicoterapêutica se construa numa base de confiança, de consistência e de não julgamento. Para além do mais, é necessário que o processo psicoterapêutico se constitua como um espaço e um tempo onde nos sintamos seguros para entrar em contacto com aquilo que em nós é mais profundo. No seio de uma relação desta natureza torna-se possível reescrever e regenerar a história em que nos contámos e na qual vivemos. É uma relação única, tendo em conta aquilo que é único em cada pessoa, e constrói-se com o auxílio de regras e princípios éticos bem definidos.

Podemos dizer que o papel do psicoterapeuta é, por um lado, o de espelho e, por outro, o de companheiro de viagem. É espelho no sentido de refletir aquilo que é o nosso sentir e o nosso mundo interno, com o intuito de nos ajudar a aprender a observar-nos a nós próprios e a refletir acerca daquilo que experienciamos. É através deste reflexo, que desenvolvemos a consciência de nós mesmos. Por sua vez, é através dessa consciência, que nos tornamos capazes de escolher como queremos agir como queremos ser. O psicoterapeuta também é companheiro de viagem, no sentido de que o caminho que o paciente faz, caminho que é de desenvolvimento, auto-descoberta e de integração, fá-lo na companhia e com o apoio de outro ser humano.

Simultaneamente, procura-se que o paciente seja autónomo e responsável no seu percurso. Procura-se que o paciente seja o autor da sua nova história, na certeza de que só o paciente conhece as respostas para aquilo que busca. É, assim, um caminho de autonomia e de autenticidade.

Enfim, queremos transmitir que a psicoterapia é um processo de amor incondicional, com aquilo que gostamos mais com aquilo que não gostamos de todo em nós. Aprendemos que somos suficientes e aprendemos que somos suficientes para ser amados. A consequência maravilhosa, é que aprendemos também a amar os outros e o que nos rodeia da mesma forma. Este é o desafio e é também esta dádiva deste caminho.