Ansiedade

A ansiedade “normal” estimula o indivíduo à ação, mas em excesso impede a reação.

“Estou na cama e não durmo, quero dormir, amanhã tenho um dia de trabalho pela frente, mas estou sempre a mexer-me, não encontro a posição certa, sinto o coração apertado, a minha respiração está ofegante, porquê que não estou a dormir? porquê não me acalmo? eu estou com sono, quero dormir!”

O termo “ansiedade” no dicionário surge como: estado de perturbação psicológica causado pela perceção de um perigo ou pela iminência de um acontecimento desagradável ou que se receia; opressão; angústia.

Ansiedade é um termo geral usado para caracterizar várias perturbações que causam nervosismo, medo e preocupação. Estas emoções afetam a forma como nos sentimos e nos comportamos.

Um nível leve de ansiedade pode deixar a pessoa inquieta e desatenta, mas níveis elevados pode causar sofrimento desnecessário e ter um impacto negativo na vida diária, tornando-se graves ao ponto de surgirem sintomas físicos.

Sempre que prevemos dor/desconforto da experiência a realizar surgem sintomas de ansiedade, esta previsão é realizada, sobretudo, através de experiências passadas.

A ansiedade em condições normais pode ser útil e quando controlada atua como estimulante, na medida em que permite antecipar situações de perigo, possibilitando à pessoa preparar-se da melhor forma para enfrentar as situações identificadas.

Causas da ansiedade

A pessoa pode sentir-se ansiosa a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente ou pode ter ansiedade esporadicamente, mas tão intensamente que fica imobilizada, não conseguindo reagir.

A sintomatologia ansiosa pode ser desencadeada pelas dificuldades da vida: dificuldades sociais e relacionais, conflitos interiores psico-emocionais.

Outra situação é quando a mente inconsciente condicionada por experiências traumáticas do passado ao tentar evitar a repetição dessas experiências, utiliza mecanismos de defesa causadores dos sintomas da ansiedade (ex: uma criança vítima de agressões na escola pode desenvolver comportamentos de isolamento social – inconscientemente o contato social torna-se o agressor).

Por outro lado, várias doenças clinicas podem produzir ansiedade: problemas hormonais, cardíacos, doenças pulmonares, diabetes, hipertensão, entre outros. O consumo de álcool, drogas, chá, café, tabaco e alguns medicamentos podem também associar-se a crises de ansiedade.

Diagnóstico da ansiedade

O exame médico é essencial para se excluir a presença de doenças físicas que estejam na base das queixas referidas. A confirmação do diagnóstico de perturbação de ansiedade depende da presença dos critérios de ansiedade definidos internacionalmente.

A marca da perturbação de ansiedade é a preocupação excessiva (inclusive com assuntos rotineiros) e pensamentos persistentes sobre o mesmo assunto durante muito tempo (obsessão), o que interfere na rotina diária.

Existem diferentes formas de ansiedade e cada uma delas com sintomas diferentes, por exemplo: perturbação obsessiva compulsiva, stress pós-traumático, pânico, agorafobia, ansiedade generalizada.

“Não há infortúnio maior do que esperar o infortúnio.” Pedro Barca

Sintomas da ansiedade

Os sintomas de ansiedade intensos podem levar o individuo a ser incapaz de realizar as tarefas do dia-a-dia, podendo manifestar-se a nível físico ou a nível emocional.

Os sintomas mais comuns da ansiedade são as preocupações, tensões ou medos exagerados impedindo a pessoa de relaxar (ex: sensação contínua de que algo mau vai acontecer; medo extremo de um objeto/situação).

Estas sensações associam-se frequentemente a sintomas físicos como o aumento da frequência cardíaca e respiratória, suores, tonturas, sensação de fadiga, insónia, tensão muscular, dores no peito e palpitações; contrações ou tremores incontroláveis, dificuldade em engolir.

“O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais do que o necessário”.  Séneca

Tratamento para a ansiedade

A ansiedade é um fenómeno universal que faz parte da nossa vida. Frequentemente, pequenas alterações no dia a dia que podem diminuir ou eliminar as reações ansiosas.

O tratamento para ansiedade deve ser realizado com acompanhamento psicológico. Por vezes, torna-se necessário o uso de medicação (ansiolíticos, antidepressivos ou calmantes), que deve ser indicado pelo psiquiatra, atuando no sistema nervoso de forma a diminuir os sintomas característicos da ansiedade.

Psicoterapia

Um dos aspetos importante no tratamento da ansiedade é a identificação dos fatores que a desencadeiam: causas externas, traumas/sofrimentos infantis, questões existenciais. As diferentes abordagens em psicoterapia têm que considerar esta multiplicidade de causas, qualquer abordagem deve em primeiro lugar ajudar a pessoa a descobrir os fatores desencadeadores da ansiedade, e em simultâneo ajudá-la a lidar com os sintomas ansiosos, sendo que o objetivo das consultas é a libertação dos medos e angústias que bloqueiam o viver.

Tratamentos naturais

  • Boa gestão e organização do tempo.
  • Comunicação regular e eficaz com os outros.
  • Dormir bem.
  • Exercício físico aeróbico.
  • Prática regular de caminhadas.
  • Técnicas de relaxamento e meditação.
  • Técnicas de controlo de stress.
  • Uso de chás com propriedades calmantes (ex: folhas do maracujá; folhas de alface; erva cidreira; erva de hipericão).
  • Musicoterapia (é inegável o efeito que o ritmo tem sobre o estado de humor – ex: a música de Mozart).

Uma boa técnica para vencer a ansiedade é criar o período de ansiedade – escolher um momento do dia para pensar nas preocupações. O controlo sobre a ansiedade aumenta à medida que se desenvolve a capacidade de adiar as preocupações.

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Dr.ª Ana Paula Silva

Licenciatura em Psicologia, com especialização em Psicologia Social, Comunitária e das Organizações, Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde e Doutoramento em Psicologia. Especialista em Psicologia Clínica e Psicologia Social, Comunitária e das Organizações.